
Vale a pena?
Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake
Xbox, Switch, PC, PS5

Escrito por
Zema — Video & Social Media Producer
Depois de uma hora, queremos continuar a jogar?
Sim, continuamos.
No episódio de hoje vamos jogar Fatal Frame 2: Crimson Butterfly Remake, o regresso de um dos jogos mais respeitados do terror japonês. Mais de vinte anos depois do original de PlayStation 2, a Koei Tecmo e a Team Ninja pegaram numa das histórias mais sombrias da série e reconstruíram-na do zero.

Temos uma câmara, duas irmãs gémeas e uma aldeia inteira que decidiu que o melhor era desaparecer do mapa.
Preparem a Camera Obscura, porque a visita a Minakami está prestes a começar.
Gameplay
O combate é muito sobre paciência e observação mas tambem sobre reflexos.
Em vez de espadas ou armas de fogo, a nossa principal ferramenta é a Camera Obscura, uma câmara capaz de capturar e ferir espíritos através das suas fotografias. Quanto mais perto deixamos o inimigo chegar antes de disparar, e quanto mais conseguimos apanhá-lo no momento exato do ataque, maior é o dano causado. Entre disparos da camara, temos de fugir dos fantasmas ou esquivar no momento certo carregando X.
É um sistema em que parece simples ao inicio, mas depois de sermos apanhados desprevenidos algumas vezes, verificamos que tem uma profundidade assinalável.
O remake substitui os ângulos de câmara fixos do jogo original por uma câmara moderna, ao ombro, o que muda bastante a forma como exploramos a aldeia, mas mantém a mesma ideia central: nunca sabemos exactamente quando um espírito vai aparecer atrás de nós.
Uma das novidades desta versão é a possibilidade de dar a mão a Mayu durante certos momentos, o que ajuda a recuperar vida e força de vontade, mas também traz um risco, porque se Mayu tropeçar ou ficar em perigo, é preciso ajudá-la a levantar-se antes de continuar.
Também temos amuletos que podemos equipar, cada um com o seu próprio efeito de buff, e que se tornam mais numerosos à medida que vamos expandindo a nossa bolsa de amuletos.
Não estamos apenas preocupados em sobreviver a um espírito de cada vez. Temos também de gerir filme fotográfico, decidir quando vale a pena arriscar uma fotografia mais próxima e perceber que fugir nem sempre é opção.

Mas não esperem sentir-se poderosos neste jogo, a máquina demora imenso a recarregar e os inimigos são como esponjas, aguentam bem com várias fotografias, levando a momentos em que me sentia quase um paparazzi do oculto.
O som dos passos de Mio a ecoarem pela casa, a câmara a tremer sempre que um espírito se aproxima e aqueles segundos em que ficamos parados à espera do flash certo fazem com que até um confronto com um único espírito pareça um momento tenso.
Alguns dos inimigos normais parecem por vezes quase mini bosses, por exemplo a senhora do lago demorou 10 minutos a morrer.
História

A história acompanha Mio e Mayu Amakura, duas irmãs gémeas que, um dia, decidem seguir um caminho na floresta atrás da casa. Esse caminho leva-as até Minakami, uma aldeia abandonada há décadas, envolta numa névoa que parece nunca querer levantar.
Só que Minakami não está propriamente vazia.
A aldeia está ligada a um ritual antigo, o "Crimson Sacrifice Ritual", e as suas ruas continuam cheias de espíritos que nunca conseguiram descansar. Mayu acaba por se separar de Mio, arrastada por uma força que a própria não consegue explicar.
A partir daí, Mio fica sozinha, à procura da irmã, numa aldeia onde cada porta parece esconder mais uma tragédia do que propriamente uma saída.
É uma mistura muito interessante envolvendo terror e folclore japonês resultando numa experiencia pesada, quase sufocante.
Na primeira hora, a história serve sobretudo para nos apresentar a Mio, a Mayu e ao mistério de Minakami. E funciona muito bem porque nunca tenta explicar tudo de uma vez, preferindo deixar a névoa e o silêncio da aldeia fazerem a maior parte do trabalho.
Minakami está deserta, os espíritos estão por todo o lado e nós só temos uma câmara fotográfica.
Não me sinto nada preparado para isto. Ninguem tem uma dslr moderna para emprestar?
Gráficos
Visualmente, este é jogo bastante bonito. Existe uma mescla perfeita de personagens com aspeto inspirado anime, artificial quase de bonecas barbie e do aspeto tradicional japonês rural, tudo isto debaixo de um clima opressivo comum no cinema de terror japonês. Incrivelmente esta mistela funciona bem.

Som / Música
No áudio, o jogo também sabe muito bem o que está a fazer.
O silêncio é provavelmente uma das coisas mais importantes num jogo deste género e aqui cada ranger de madeira, cada sussurro distante e cada passo tem peso.
Quando a câmara começa a tremer antes de um espírito aparecer, o som ajuda a vender aquele momento como se estivéssemos mesmo prestes a ser apanhados.
E depois temos a banda sonora, que acompanha muito bem a mistura entre o folclore japonês e a tragédia pessoal de Mio e Mayu, adequa-se perfeitamente ao jogo.
Performance
O novo motor da Team Ninja, o Katana Engine, mostra potencial, especialmente na forma como trata a iluminação e a névoa que envolve Minakami. As sombras, os reflexos e a forma como a luz da nossa lanterna se comporta ajudam bastante a vender aquela sensação de estarmos permanentemente a um passo de algo que não conseguimos ver.
Ajuda a atmosfera a ficar mais pesada, com uma mistura de beleza e desconforto que combina muito bem com a identidade da série Fatal Frame.
Já o framerate, não é tão bom, joguei na ps5 pro e está infelizmente fixado nos 30fps. Seria de esperar mais num jogo cujo design remonta aos tempos da PS2. Ainda assim ao fim de alguns minutos, ficamos habituados e os controlos não sofrem com muito lag.
Pontos fortes
- Atmosfera
- Terror psicológico
- História e mistério
- Direção artística
- Modernização do original
Pontos fracos
- 30 fps na PS5 Pro
- Combate demasiado lento
- Primeira hora bastante introdutória
- Progressão ainda pouco demonstrada
Veredicto
Fatal Frame 2: Crimson Butterfly Remake deixou-me com uma ideia fixa, vale a pena a compra.
A Koei Tecmo e a Team Ninja pegaram num dos jogos mais respeitados do terror japonês e conseguiram modernizar aquilo que o tornava especial.

O combate é lento, mas exige atenção. As fotografias são satisfatórias, os espíritos têm impacto e os amuletos acrescentam variedade suficiente para não transformar tudo numa simples sequência de sustos.
A vila Minakami parece ser claramente um dos grandes destaques da experiência.
As primeiras horas do jogo abrem o apetite para continuar, o mistério das gémeas merece ser revelado, este jogo vale a pena, especialmente se o encontrarem em desconto.
Se o resto do jogo conseguir manter o nível desta primeira impressão, temos aqui um regresso bastante convincente da série.
Mio vai ter de sobreviver a Minakami para encontrar a irmã e eu vou ter de andar de luz acesa pela casa nos próximos dias.
