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Crazy Taxi

Retro+

Crazy Taxi

Dreamcast · 1999

Zema

Escrito por

Zema — Video & Social Media Producer · 17 de Setembro 2026

Ainda vale a pena jogar isto hoje?

Sim, continua a valer.

Isto é Crazy Taxi. E a Sega acabou de confirmar quea série volta em 2027, com o Crazy Taxi: World Tour.

Mas antes de falarmos do futuro da série, vamos perceber o que tornou os dois primeiros jogos num fenómeno.

 

Crazy Taxi nasceu nas arcadas em 1999, criado pela Hitmaker, uma subsidiária da Sega. E o conceito não podia ser mais simples: és taxista, tens um relógio a contar, e o teu único objetivo é apanhar e largar clientes o mais depressa possível antes que o tempo se esgote e lucrar o maximo de dinheiro.

Não há história, É um jogo 100% arcade e a história é aquela que tu crias com o gameplay.

Havia um problema óbvio num jogo destes: como é que o jogador sabe para onde ir, numa cidade aberta, sem perder tempo a olhar para um mapa?

A resposta foi a Crazy Arrow — uma seta gigante, sempre visível, que apontava constantemente na direção do destino. Parece simples hoje, mas na altura foi uma solução elegante que resolvia a navegação sem nunca quebrar o ritmo do jogo.

Depois havia o próprio mundo: uma cidade aberta e "viva", numa época em que a esmagadora maioria dos jogos de corrida ainda te trancava numa pista fechada, a dar voltas ao mesmo circuito. Crazy Taxi ia contra essa lógica.

E depois havia a banda sonora. Bad Religion e The Offspring, uma escolha de som punk-rock arriscada e diferente de tudo o resto no mercado, e que acabou por se tornar tão icónica quanto o próprio jogo. Quando o jogo foi portado para pc os fâs detestaram a nova banda sonora. O DNA do jogo é offspring.

No aspeto mecânico, o Drift e o Crazy Dash recompensavam agressividade, não perfeição. Não eras penalizado por ires contra o trânsito, eras recompensado por isso. Esse era o coração da experiência: caos controlado, e quanto mais arriscado, melhor a pontuação.

 

Quando Crazy Taxi saltou das arcadas para a Dreamcast, em 2000, tornou-se um dos ports mais bem-sucedidos da história da Sega, praticamente idêntico à versão de arcada, pois a placa arcade chamada NAOMI era basicamente uma dreamcast alterada.

Uma das partes mais memoráveis do jogo era o Crazy Box: um modo de treino disfarçado de conjunto de desafios completamente lunáticos. Na prática, era a forma que o jogo tinha de ensinar as mecânicas sem nunca parecer um tutorial.

E tudo isto acontecia numa versão caótica e comprimida de San Francisco, que servia de playground para toda esta loucura.

Este lançamento ajudou a moldar a identidade da própria Dreamcast: uma consola jovem, irreverente, disposta a arriscar em jogos que fugiam à fórmula tradicional.

Em 2001 chegou Crazy Taxi 2, exclusivo da Dreamcast, este nunca passou pelas arcadas.

A grande novidade foi o novo mapa: "Small Apple", uma paródia caótica e comprimida de Nova Iorque, cheia de referências e piadas visuais à cidade real.

A nível de mecânicas, o jogo introduziu o Crazy Hop, que permitia saltar no próprio sítio para se ajustar ou escapar de obstáculos apertados, e o Crazy Dash, um arranque instantâneo que dava um boost extra de velocidade logo a partir do zero.

Tecnicamente, é um jogo mais refinado que o original. Mas culturalmente, teve muito menos impacto — o clássico "efeito segunda parte": chegou depois da novidade já ter passado, e por isso acabou sempre um pouco à sombra do primeiro.

Tinha também o modo crazy pyramid recheado de novos minijogos que funcionavam também como tutorial disfarçado, continuava tão viciante como o crazy box e a discussão pelos recordes com os amigos era acesa.

 

A influência de Crazy Taxi está espalhada por vários jogos de condução em mundo aberto que vieram depois, ainda que o género de "arcade puro" sem simulação, sem realismo, só pura diversão imediata tenha praticamente desaparecido ao longo dos anos 2000 e 2010.

Porque ainda vale a pena

  • É diversão imediata Não precisas de aprender sistemas complexos nem passar horas numa campanha.
  • O caos continua a ser único Crazy Taxi não tenta ser um simulador. O trânsito, os atalhos, os saltos e as manobras absurdas fazem parte da diversão. É precisamente esse "caos controlado" que ainda hoje o diferencia.
  • É perfeito para sessões curtas.

Onde já envelheceu

  • Os gráficos 3D têm obviamente o charme da Dreamcast, mas quem chega hoje ao jogo sem nostalgia pode achar a apresentação bastante datada. Modelos simples, animações rígidas, ambientes pouco detalhados e uma cidade relativamente vazia fazem com que seja difícil ignorar a idade do jogo.

Veredicto

Passaram mais de duas décadas, e continua a não haver nada que replique exatamente aquela sensação de caos controlado que Crazy Taxi trouxe em 1999.

É um excelente exemplo de como uma ideia simples, quando é bem executada, consegue sobreviver ao teste do tempo.

E agora que Crazy Taxi está de volta em 2027 com World Tour, talvez seja a altura perfeita para voltar ao original.